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Produtividade  e  (des)organização

A propósito de tudo e de nada surgem sempre comentadores e analistas a referir que a produtividade em Portugal é baixa e que é um mal nacional. Pois bem, feito o diagnóstico por "pessoas tão ilustres" ficamos todos com a sensação que o mal está apenas no sector produtivo, onde há muito que fazer.

Sabem todos, a começar pelos comentadores e analistas que o primeiro factor a ter em conta quando se fala de produtividade está na liderança. Antes de tudo mais há que planificar objectivos, reunir condições de trabalho, distribuir tarefas exequíveis e envolver todos os sectores no projecto, responsabilizando todos e cada um nas tarefas que são propostas. Para tudo correr como planificado é essêncial envolver todos e saber coordenar os diversos sectores mantendo sempre em aberto canais de diálogo de onde surgem inevitavelmente sugestões para a melhoria e optimização dos serviços.

O que falta em Portugal é sobretudo liderança, planeamento, inovação e diálogo. Os portugueses não são só bons quando trabalham no estrangeiro, também o podem ser cá dentro. Nas condições actuais nem é só isto que corre mal, temos também o factor das baixas remunerações, a falta de prespectivas de futuro derivada da insegurança no emprego, o trabalho temporário, a falta de renovação de gerações de trabalhadores do quadro e a falta de formação.

Não vemos abertura política no Ministério da Cultura para se saír deste impasse. É pena !                 30/08/04

Avaliação - A avaliação do desempenho está inquinada à partida pelo simples facto de uma possível reclamação só poder ser feita depois da sua homologação e precisamente para o dirigente que a homologou. Quais são as garantias dadas aos avaliados com esta metodologia? Com os critérios de quotas e sem verdadeiras hipóteses de reclamação como assegurar o direito de igualdade exigido pela nossa Constituição?

Como se diz à boca cheia, na gíria popular, o sol quando nasce não é para todos  e somos todos iguais, mas há uns mais iguais que outros . Espera-se que alguém se lembre que o princípio da igualdade está consagrado na lei das leis, sem quotas nem avaliações contra as quais não há reais garantias de defesa ou recurso.         01-09-2004

Horários - Os vigilantes-recepcionistas estão inseridos num grupo profissional vasto normalmente apelidado de técnico-profissional. Ao contrário de todas as outras carreiras deste grupo, os vigilantes-recepcionistas são obrigados a cumprir um "horário específico" que na realidade não tem existência legal. As diferentes tutelas ao longo da última década têm ignorado este vazio legal, apesar dos inúmeros alertas. Para 2003 muitos de nós estamos dispostos a avançar com formas de luta e com denúncias a instâncias superiores , com a finalidade de ver-mos consagrado um horário específico com a justa retribuição pelo trabalho prestado aos fins-de-semana, tal como já acontece para diversas outras carreiras com horários específicos.

REFORMAS ?

Depois da intoxicação da opinião pública, fazendo caír o ónus da burocracia e da inoperância do aparelho de Estado nos funcionários públicos, entra-se agora no seu desmantelamento sistemático com o pretexto duma "reforma" que não vai resolver nenhum problema mas que, pelo contrário, vai agravar a vida de todos os portugueses.

Alegremente criam-se institutos, sociedades anónimas de capitais públicos, parcerias público-privado, empresas públicas e outras onde são colocados dirigentes, altos dirigentes a julgar pelos vencimentos e outras regalias, que vão delapidando capitais públicos e depois, sem qualquer sanção, mudam para outro "tacho" com idênticas mordomias por vezes até recebendo indemnizações avultadas apesar dos maus serviços prestados. A dita reforma não vai aplicar-se a estes senhores nem aos governantes que os nomearam, mas sim aos funcionários que apenas executam ordens emanadas pelas instâncias superiores.

Conclui-se que não se reformam os métodos nem a forma, ao invés ataca-se quem executa o que lhe é exigido. A partidarização da função pública e a precarização do emprego público vai ser paga pelo comum cidadão, funcionário ou utente, e o "lucro", porque é isso que está em causa, será arrecadado por uns quantos. O Estado demite-se das suas funções e os políticos das suas responsabilidades esta é que é a verdadeira "reforma".