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Sai ministro, entra ministra

Depois da passagem do "ministro invisível" eis-nos chegados ao tempo de uma ministra e da trapalhada da secretaria de estado mais inesperada da história do ministério da Cultura. Damos as boas vindas à nova titular do cargo, manda a boa educação, e ficamos desde já à espera de ver como irão continuar as reuniões para a discussão dos problemas dos museus e monumentos.

A continuidade da maioria no governo, independentemente da nossa opinião pessoal, acarreta o ónus da responsabilidade de continuar o trabalho anteriormente encetado, como é o nosso caso. A equipa é a mesma, o projecto é essencialmente o mesmo por isso não há razões para mai9s demoras.

Basicamente a situação é a mesma há anos, só que já foi feito um levantamento exaustivo dos problemas, já existe algum consenso para medidas a curto prazo e até já se discutiram planos para o futuro, o que falta mesmo é partirmos para a acção. 

Não metemos férias, estamos disponíveis para o diálogo, assim haja disponibilidade por parte da senhora ministra.

16/08/04

Eles "ganhem bem"

Há notícias que nos deixam de queixo caído, mesmo tendo em linha de conta que há uma estratégia de ataque aos trabalhadores da função pública, desenvolvida por parte de grandes poderes económicos.

Não fazendo a coisa por menos, uma empresa dita conceituada, chegou à brilhante conclusão de que os funcionários públicos ganharíam mais 51% do que os do sector privado desenvolvendo tarefas idênticas (?). De imediato um jornal nacional de grande tiragem atira esta conclusão para as suas páginas como uma verdade incontestável.

Artigos deste tipo têm sido frequentes, a sua divulgação por parte de alguma comunicação social também é comum e o silêncio do governo é uma constante.

À semelhança do que já acontece com as sondagens talvez não fosse disparatado haver a obrigação de serem divulgados os dados estatísticos em que se baseiam estes estudos e o universo (neste caso) das profissões e categorias alvo do estudo que conduziu à dita conclusão. Pertinente também, sería saber-se quem tería sido a entidade que encomendou o trabalho.

O jornalismo já não é o que era, senão talvez tivesse colocado algumas destas questões, antes da publicação, ou desse esclarecimentos complementares a cépticos como nós.

É ainda espantoso que no mesmo jornal e na mesma semana, se desse relevo à imensa dificuldade de recrutamento de pessoas para a causa pública devido às remunerações muito baixas auferidas no exercício dessas funções, comparativamente às do sector privado.

Noticiar uma coisa e o seu contrário não credibiliza ninguém e só serve para lançar a confusão.

 Denegrir a imagem da função pública não pode ser um passatempo nacional, apesar de haver quem aposte nisso e quem se apresse a difundir essa mensagem.

                                                                        16/08/04                        

 

Competência e objectivos

 

Volta não volta, fala-se na avaliação do mérito, de objectivos e de competência, sendo que na prática, estamos na mesma senão pior.

Começando pelo mérito podemos questionar se ele é compatível com a nomeação por confiança política ou pessoal de altos dirigentes. Será que eles são escolhidos por comprovada experiência e formação para os cargos? A prática não parece confirmar este princípio até porque grande parte das nomeações incidem sobre pessoas de sectores muito diferentes e com experiências profissionais totalmente diversas.

Passando aos objectivos temos a confusão total. Quase ninguém conhece (será que existem?) os objectivos estabelecidos para os serviços e muito menos para cada um dos seus elementos. Temos até conhecimento de serviços em que os responsáveis procuram atirar para os subordinados o ónus de estabelecerem objectivos pessoais sem darem a conhecer, primeiramente, os objectivos dos serviços. 

Falar de competência depois do já exposto é um exercício de retórica do qual conhecemos o veredicto: os objectivos não foram totalmente atingidos apesar dos esforços do pessoal dirigente por incompetência e desleixo de alguns funcionários, reflectida nas avaliações dadas no respeito total das quotas previstas na lei.

Resta-nos o consolo da reclamação, dirigida ao avaliador (ele mesmo) que terá o incómodo de ter de se pronunciar novamente, no mesmo sentido é óbvio, mas profundamente "chateado" pela insolência dos incompetentes que se atrevem a questionar o seu  "supremo juízo".

                                                              16/08/04

 

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